ESG no Brasil: qual é a previsão sobre o tema no país?

As discussões sobre ESG viraram tendência no mercado global. Mas qual é o cenário do ESG no Brasil?

ESG no Brasil

ESG no Brasil: a evolução do tema

2019

Apesar do conceito ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança)  já existir desde 2005, o tema só virou febre em países como Estados Unidos e Japão a partir de 2020 com a pressão do mercado financeiro para essas práticas.

Já no Brasil, o cenário é diferente. Por isso, neste blogpost vamos entender a realidade do ESG no Brasil com dados do estudo feito pela Pacto Global e Stilingue, denominado “A Evolução do ESG no Brasil”.

Em 2019 ainda eram poucas as menções ao assunto. Com pouco mais de 3,4 mil citações, o que se falava era a respeito de como os demais países estariam reconhecendo e colocando em prática a nova tendência.

Porém, mesmo sem muitas citações sobre o termo específico “ESG”, em 2019 já havia um destaque para o ambiental, com mais de 11 milhões de publicações realizadas. O aspecto social aparece em segundo com mais de 484 mil conteúdos com maior identificação das expressões “inclusão social” e “Direitos Humanos”.

Em terceiro lugar está a governança, com mais de 126 mil publicações com relatos sobre os impactos da corrupção em grandes empresas.

Mas igualmente a outros países, o tema ESG no Brasil ganhou mais atenção em 2020. As discussões em redes sociais sobre o tema cresceram seis vezes de 2019 para 2020, com mais de 22 mil conteúdos coletados sobre o assunto.

2020

Da mesma forma que em 2019, em 2020 falar sobre ESG no Brasil novamente significou refletir sobre preocupações ambientais. Mas também surgiram tópicos como “investidores” e “fundos ESG”, “melhores práticas de governança corporativa”, que não foram encontrados em 2019.

Essa maior familiaridade com o tema também foi vista na pesquisa exclusiva realizada com membros da Rede Brasil do Pacto Global. Nela, 72% dos respondentes afirmaram já conhecerem o termo ESG em 2020.

A evolução dos números não foi apenas nas discussões, mas no mercado financeiro. Em 2020, havia cerca de R$700 milhões investidos em fundos ESG no país, o triplo do ano anterior. (dados da Anbima – Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais)

Qual é a previsão para ESG no Brasil?

O crescimento das discussões sobre ESG no Brasil podem ser confirmados pela percepção do setor empresarial. Para 84% deles, comparativamente, o interesse pela discussão aumentou em 2021.

A maior parte dos respondentes revelou ser estimulada com alta frequência a repensar e criar soluções que impactem positivamente nos 3 critérios ESG. 51% dos respondentes sempre são incentivados a considerar práticas com impactos sociais mais positivos; 50% para impactos ambientais mais positivos e 48% para impactos de governança mais positivos.

A pesquisa da Anbima também revelou que em janeiro de 2021, os fundos que investem em empresas com preocupação social, ambiental e de governança já ultrapassaram R$1 bilhão.

E a expectativa dos consumidores também segue a tendência: este ano a KPMG realizou uma pesquisa com consumidores do mundo todo. Dentre os que mais se importam com a abordagem das empresas em relação ao meio ambiente, 5% são brasileiros. Já dos que se importam com a consciência social da empresa, 9% são brasileiros.

Crescimento do ESG no Brasil

Mesmo com o triplo dos investimentos ESG de 2019 em 2020, esse valor corresponde a somente 0,13% do que é investido em fundos no país.

Mas por que o crescimento do ESG no Brasil é mais lento do que em outros países? Segundo pesquisa da consultoria Russell Reynolds, apenas 53% dos executivos têm confiança nas estratégias sociais, ambientais e de diversidade das empresas em comparação à média acima de 60% de executivos dos outros países.

Ou seja, o brasileiro é mais pessimista em relação a ESG do que a média global. Para o Estadão, a diretora-geral da Russell Reynolds no país afirmou que “a reticência em relação ao ESG pode ser explicada pela própria novidade do debate por aqui”.

E continuou discorrendo que, “de repente, o corpo diretivo de grandes empresas – não só multinacionais ‘modernas’, mas também negócios de capital nacional da velha economia – se viram obrigadas a endereçar não só a questão ambiental e social, mas também diversidade e inclusão”.

“Assim, os executivos nacionais também se veem num dilema, com diferentes forças externas os puxando em direções opostas: enquanto bancos, fundos de investimento e parceiros de negócios colocam o ESG como condição para aportes ou compra de produtos, o governo federal vai na direção contrária, tanto no que diz respeito ao meio ambiente quanto a ações afirmativas”.

Entretanto, mesmo com uma evolução menos acelerada, em live do Valor Investe, Carlos Takahashi, presidente e membro do comitê executivo regional da BlackRock Brasil, garantiu que “o Brasil ainda está no início do ESG, mas é caminho sem volta. Até porque os investidores locais estão cada vez mais interessados nesses temas e em aportar em empresas que tenham esses fatores incorporados”.

Inclusive, a B3 (Bolsa de Valores oficial do Brasil) anunciou ao mercado na última sexta-feira (10) que está em reunião com investidores para captação externa de dívida com meta social, um dos critérios ESG.

Os compromissos são de ter 35% de mulheres em cargos de liderança até dezembro de 2026 e criar um um índice de diversidade até o fim de 2024.

Portanto, a tendência é uma atenção cada vez maior a ESG no Brasil.

Por fim, qual é a visão sobre ESG na sua empresa? Comente aqui embaixo!

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